Um preço alto demais

Quando eu tinha 15 anos, me sentia um peixe fora d’água. Eu vivia faltando aula e indo atrás de drogas, e como a maioria dos adolescentes, eu não me entendia muito bem.

Quando fiz 21 anos, me casei. Meu marido e eu nos mudamos do Nordeste para o Rio por nossa própria conta, e consegui arranjar um emprego em uma rede de fast food. Mas quando eu fui demitida, fiquei sabendo o quanto poderia ganhar sendo stripper. Então comecei a dançar em um clube de strip. Eu gostei muito no começo porque eu ganhava bem e recebia atenção dos rapazes.

Contudo, em pouco tempo, eu estava bebendo todos os dias para passar por isso. Foi humilhante e exaustivo, então eu tinha que lidar de alguma forma. Rapidamente me tornei alcoólatra.

Meu marido e eu nos separamos pouco tempo depois que eu me tornei stripper e, logo, nos divorciamos. Eu finalmente percebi que não se ganha tanto dinheiro assim com o strip tease. Então, quando um cafetão se aproximou de mim no clube perguntando se eu tinha interesse em ir para o próximo nível, eu disse que sim. Mas eu era tão ingênua em relação a tudo o que dizia respeito à prostituição que pensei que o cafetão era apenas um cara normal. Ele pegou minha amiga e eu para começarmos a nos prostituirmos para ele. No começo, era como um jogo para nós, uma espécie de brincadeira. Fizemos muito dinheiro, ficamos bêbadas, usamos drogas. Pensávamos que era divertido.

Tudo se intensificou muito rapidamente. Depois de um ano fazendo strip tease, me tornei prostituta. Eu não sabia ao certo o que estava acontecendo. Nosso cafetão mentiu para nós e disse: “Bem, você não precisa dormir com os caras para ganhar dinheiro.” Mas isso foi o que aconteceu. Eu estava dormindo com os caras em troca de dinheiro.

Avançando alguns anos na estrada: minha amiga saiu, mas eu ainda estava presa naquele estilo de vida. Eu fiquei como prostituta por cerca de quatro anos, entre meus 22 e 26 anos. Eu morei em um quarto de hotel. Mesmo ganhando muito dinheiro, gastava tudo com drogas, carros e coisas legais para preencher a imundície que sentia por dentro. Mas não importava o que eu comprava ou quanto dinheiro eu ganhava, eu nunca consegui preencher o vazio que sentia por dentro. Então continuei me prostituindo, esperando que, se ganhasse dinheiro suficiente, valeria a pena um dia. Mas esse dia nunca chegou.

Então eu comecei a fazer sexo por drogas, como uma troca direta. Foi quando percebi que minha vida estava completamente fora de controle.

Depois de alguns anos, ganhei um novo cafetão. Ele me batia constantemente, uma vez ao ponto de meus dentes caírem depois que meu rosto bateu na calçada. Foi uma época horrível, de muita violência. Depois de estar com ele por dois anos, eu fiquei, tipo: “Eu não vou mais fazer isso”. Então eu o larguei, mas continuei me prostituindo sozinha, o que é absurdamente inseguro. Não há ninguém para te dizer quem pode te machucar ou de quem deveria ficar longe.

Foi quando eu comecei a usar drogas mais pesadas. Eu consumia metanfetamina, heroína, pílulas – praticamente qualquer coisa que conseguisse. Então comecei a fazer sexo por drogas, como uma troca direta. Foi quando percebi que minha vida estava completamente fora de controle.

Uma amiga e eu tivemos problemas com a polícia, o que realmente me assustou. Então me mudei do Rio para São Paulo para me afastar daquele estilo de vida e das drogas. Comecei a fazer strip tease novamente, pensando que era o menor de dois males. Mas meu vício em metanfetamina se tornou mais intenso.

Em seguida, as coisas ficaram muito loucas. Um dia no trabalho, lembro-me de usar metanfetamina e ficar chapada. Fiquei fora de mim no camarim, e as garotas com quem trabalhava me encurralaram e me drogaram. Elas enfiaram uma agulha no meu braço e me injetaram algo. Até hoje, não sei o que elas colocaram em mim ou porque fizeram isso.

Eu quase morri e acabei em um hospital psiquiátrico por uma semana. Foi lá que decidi que bastava. De verdade, desta vez.

Depois disso, conheci algumas pessoas que causaram um grande impacto na minha vida. Eles me levaram para a igreja e me amaram por quem eu era.

Eu consegui abandonar a metanfetamina pouco depois disso, o que foi um verdadeiro milagre. Conheço outras pessoas que lutam por anos e anos contra o vício, mas essa não foi a minha experiência. O outro milagre foi que consegui um emprego. Eu tinha uma lacuna de quatro anos no currículo – quem me contrataria? Porém, um dia, enquanto eu estava sentada em um ponto de ônibus, me ofereceram um emprego. Desde então, eu me tornei mãe e agora trabalho meio período como garçonete em uma pizzaria.

Para incentivar você, aqui está mais uma mulher corajosa que criou uma vida para si mesma fora da indústria do sexo.

Eu sinto muita vergonha do meu passado – é embaraçoso e humilhante. Então, se você se sente preso(a) na prostituição, saiba que não está sozinho(a). Eu estive nesta situação. Há mentores online aqui que vão ouvir você sem julgamento, amá-lo(a) incondicionalmente e caminhar ao seu lado em sua jornada. Basta preencher suas informações abaixo e alguém entrará em contato em breve.