Minha mãe deveria estar aqui

Praticamente todo mundo que eu conheço foi afetado pelo câncer em um momento ou outro de suas vidas. Ou eles mesmos tiveram câncer ou conhecem outra pessoa que teve. Algumas pessoas estão vivendo com a doença, e muitas outras enterraram seus entes queridos por causa disso. O câncer é uma doença que cresce de maneira desenfreada e parece estar piorando.

Poucos dias antes do meu aniversário de 19 anos, minha mãe me disse que seu médico encontrou um caroço suspeito em seu corpo que eles queriam investigar. Fiquei paralisada pela súbita ameaça de uma grave doença. Eu tive um parente distante que morreu de câncer – mas minha mãe? Ela não! Eu tinha acabado de começar meu segundo ano na faculdade e a vida estava indo bem. Entretanto, três dias depois do meu aniversário, os médicos confirmaram aquilo que eu não gostaria que ninguém tivesse que ouvir: minha mãe tem câncer.

O câncer evoluiu com metástase para várias áreas do corpo. A cirurgia não é mais uma opção, mas aqui estão alguns tratamentos alternativos, disse o médico.

Ele então nos deu para ler o que parecia ser uma biblioteca de pastas e panfletos sobre câncer de pulmão, expectativa de vida e opções de tratamento. Foi angustiante.

Os meses seguintes foram um turbilhão interminável de consultas médicas. Havia raios-x e tomografias computadorizadas, terapia alternativa e medicação agressiva. Todo dia parecia pior que o anterior, e a alegria foi rapidamente roubada de nossos corações. Minha mãe reagiu bem a algumas formas de tratamento, porém, algumas semanas depois, os exames mostraram que células cancerígenas tinham crescido em outros lugares. Não houve como parar o monstro do câncer. Ele tinha um desejo voraz de devorar todas as células saudáveis da minha mãe. Ela lutou contra o câncer por 14 meses e morreu em uma tarde fria de domingo em janeiro. Minha vida mudou para sempre.

Minha mãe perdeu minha formatura, meu casamento e não estará presente no nascimento de meus filhos. Esta é uma das realidades mais dolorosas de quem fica. Você não pode criar novas memórias com as pessoas que ama. De agora em diante, eles vão perder todos os aniversários, celebrações, manhãs de Natal.

A maioria das pessoas diz que fica mais fácil com o tempo. De certa forma, isso é verdade. A vida continua, novas memórias são feitas e novos relacionamentos florescem. No entanto, sempre, sempre haverá um buraco no seu coração. Eu costumava pensar que esse buraco tinha me prejudicado de várias maneiras. Por muito tempo, me defini pela ausência da minha mãe. Eu justifiquei minhas emoções, minhas decisões – até mesmo meu comportamento amargo – pelo fato de que eu era uma pessoa quebrada e ferida, vencida pelas tempestades da vida.

Esta é uma das realidades mais dolorosas de quem fica. Você não pode criar novas memórias com as pessoas que ama. De agora em diante, eles vão perder todos os aniversários, celebrações, manhãs de Natal.

Lidar com a perda de um ente querido é um processo que se dará ao longo da vida. Às vezes, você será capaz de sorrir de maneira genuína em momentos dolorosos e sentirá que mandando ver nessa “coisa de luto”. Entretanto, em outros momentos, você vai cair de cara no chão, chorar como uma criança ao lado de um túmulo, completamente perdido de tanta tristeza.

Durante muito tempo, me senti distante das pessoas ao meu redor. Senti como se não merecesse a alegria que os outros tinham. Essa foi a minha “sorte” na vida. Eu me reencontrei com uma das minhas amigas do ensino médio e ela me contou sobre suas experiências com a perda de sua mãe quando ela era criança. Ela, inclusive, me contou sobre alguns recursos que a ajudaram. Sua iniciativa de se conectar comigo abriu meus olhos para o incontável número de pessoas ao redor do mundo que estão passando pelas mesmas dificuldades que eu. Ler e aprender sobre as experiências de outras pessoas não silenciou minhas próprias lutas; mas me ajudou a perceber que eu não sou a estranha. Posso me sentir estranha e incompleta, mas não preciso me sentir sozinha.

Quase todas as pessoas foram impactadas pela perda. Se você perdeu alguém, queremos que você saiba que não está sozinho(a).

O luto não é uma habilidade que você pode aprender com um aplicativo, livro ou vídeo. Não há “campeões de luto”, apenas pessoas que enfrentam um dia após o outro depois de uma perda terrível. O luto é um caminho difícil, então, por favor, não viaje sozinho(a). Se você tiver alguma dúvida sobre a vida, a morte ou qualquer outra coisa, adoraríamos conversar com você. Por favor, deixe suas informações de contato e alguém da nossa equipe irá responder. Vamos enfrentar isso juntos.