Olá escuridão, minha velha companheira...

Quando eu era criança, tinha muitos pesadelos o tempo todo. Hoje, apesar dos monstros terem mudado, ainda tenho pesadelos. Na verdade, minha depressão geralmente parece uma capa feita dos meus piores pesadelos, rastejando para dentro do meu dia até que eu esteja completamente envolvida nela.

Sinto uma alegria muito grande quando a depressão está escondida. Consigo até esquecer que a depressão um dia me visitou. Mas quando ela aparece, é o oposto. Eu esqueço de ter um dia conhecido um sentimento feliz.

Nada é capaz de parar o refrão dela na minha cabeça: “você é detestável, egoísta, desagradável, mal amada.”

Às vezes ela se parece mais com um filme do que com uma voz. Cenas de rejeição, fracasso, humilhação e exclusão (tanto reais quanto imaginárias) passam na minha cabeça até que eu não possa fazer mais nada a não ser odiar a mim mesma.

Às vezes não tem nada acontecendo. Às vezes, eu me sinto presa em um lugar escuro onde não há nada para fazer a não ser dormir ou chorar até minha cabeça explodir. Eu como, bebo, escrevo, enterro as unhas na minha pele, qualquer coisa para me distrair da dor que parece se enfurecer por dentro. Em dias assim, apenas levantar da cama já é um triunfo que preciso reconhecer.

Mas existe algo confortante sobre ela também, eu sei disso. Eu sinto aquela escuridão tão frequentemente, que parece um cobertor, silenciando todo sentimento ou pensamento.

Apesar de incluir inseguridade e ansiedade, depressão é mais que isso. É um tipo de tristeza, mas é mais profunda do que qualquer mágoa que já senti. É um tipo de raiva, mas é mais perturbadora do que qualquer fúria que já conheci, tanto racional quanto infantil. É um tipo de solidão, mas é maior do que estar sozinho. É um tipo de indiferença, de desesperança por melhora. Eu nunca tive uma apatia tão grande quanto a que aparece com minha depressão. Ela engloba todas as dores do meu passado e amplifica cem vezes.

Mas existe algo confortante sobre ela também, eu sei disso. Eu sinto aquela escuridão tão frequentemente, que parece um cobertor, silenciando todo sentimento ou pensamento. Não existe surpresa porque já escutei e senti tudo isso antes. Não existe descanso porque quando ela aparece, eu não tenho forças para nada a não ser permanecer viva.

E mesmo essa vontade de viver vai diminuindo. Quanto mais forte a depressão bate, mais profundamente eu desejo me livrar do que começa a parecer uma mortalha pesada, que traz coceira e que é difícil demais de suportar.

Talvez você seja igual a mim. Talvez você se sinta como se encarasse a escuridão da depressão sozinho. É difícil para alguém que não lidou com isso entender o que sentimos, o que pode tornar difícil alcançar um ao outro. Eu sempre preciso de um lembrete, e quero oferecer isso a você: você não está sozinho.

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Se você está lutando com pensamentos suicidas, por favor leia este artigo: [a história de Scott] (/ Pensamentos Suicidas).