Não tenho nada pra dar

Em vinte anos de casamento eu me encontrei me sentindo abandonada pelo meu marido. Eu sofria demais por ele não estar ali para mim. Sentia uma conexão muito escassa entre nós dois. Eu precisava que ele me ouvisse e demonstrasse que se importava com a forma como eu me sentia – que me olhasse nos olhos e estivesse presente para que eu soubesse que podia contar com ele.

Mas isso não era algo que ele soubesse fazer. Por muitos anos eu estive em segundo lugar diante de seus negócios, e quando eu dizia a ele como me sentia, ele desprezava meus sentimentos como se eles sequer fossem reais. Comecei a sentir como se eu estivesse criando meus filhos sozinha. Ele passava muito tempo se voluntariando para serviços comunitários.. e não que isso seja uma coisa ruim. Muitas pessoas o respeitavam e precisavam de sua ajuda, mas isso lhe tirava de seu tempo em família. Nós precisávamos dele. Eu precisava dele.

Normalmente eu ficava na sala da casa no final da tarde assistindo TV enquanto ele estava em seu escritório trabalhando em algo. Ou ele vinha, comia muito rápido e logo saía para aquela reunião às 19h. Ou ele me dava uma lista de tarefas, e eu respondia “Oi? Eu não sou sua secretária, sou sua esposa!” Ele sempre dizia: “assim que terminar esse projeto, as coisas vão desacelerar,” Este era o mantra da nossa família, mas as coisas nunca desaceleravam.

Eu entrei completamente em colapso no final de semana do Dia das Mães de 1992, e passei a odiar o dia das mães desde então. Eu simplesmente comecei a chorar e continuei chorando por três dias seguidos. Foi como uma implosão; o ar simplesmente saía de mim.

Eu não aguentava ter ninguém perto de mim. Eu só precisava ficar sozinha. Eu não tinha nada para entregar a ninguém. Fui ao médico e ele me disse que eu estava tendo uma crise nervosa. Tive de começar a tomar alguns remédios. O primeiro piorou tudo, como se meu cérebro estivesse todo bagunçado. O segundo ao menos ajudou a me acalmar um pouco. O médico disse que por seis meses, eu não poderia fazer nada, e foi o que eu fiz.

Levou algumas semanas até que o Don percebesse o quão séria a situação estava. Eu não estava melhorando. À princípio ele pensou que fosse por causa do estresse de nossa vida corrida, mas em determinado momento ele viu sua parcela de responsabilidade.

O aconselhamento que tivemos durante os anos seguintes levou ele ao ponto de responder a pergunta: “Por que você se esforça tanto para negar os sentimentos de sua esposa?”. Quando nosso conselheiro lhe perguntou isso, foi um tremendo choque para ele. Ele percebeu que quando desprezava a forma como eu me sentia, era como se me trancafiasse, e que quando não ouvia o que eu estava dizendo, fazia com que eu tivesse de carregar todo o estresse da vida sozinha.

Então ele parou de se envolver em muitos dos serviços voluntários dos quais fazia parte e realmente se esforçou para ouvir como eu estava indo. Ele inclusive aprendeu a expressar seus sentimentos comigo. Isso me fez sentir como se fôssemos um time. Nós iríamos passar por isso juntos.

Comecei a me sentir realmente reafirmada. Don sempre me falava sobre o quanto eu era uma boa esposa, mãe e amiga.

Havia uma conexão profunda crescendo entre nós e isso me ajudou a me sentir eu mesma novamente e a me curar. Don diz que, quando se trata de dano emocional, não é como se fosse apenas pegar um pote de cola e juntar tudo de novo. É muito mais complicado do que isso e é algo que leva tempo.

Nós tivemos de procurar ajuda. Foi quando ele começou a entender qual era seu papel, e só então o processo de cura se iniciou dentro de mim.

Se você está se sentindo emocionalmente abandonado por seu parceiro, eu lhe encorajo a conversar com alguém daqui. Se você deixar suas informações de contato, alguém do nosso time irá se conectar a você, ouvi-lo e oferecer-lhe apoio.

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